Reforma da aposentadoria: é golpe nos trabalhadores terceirizados

 

 

Escrito por: Maria Isabel Caetano dos Reis – Presidente do Sindiserviços-DF


26/01/2017


 

 

As trabalhadoras e os trabalhadores terceirizados do Brasil, categoria que recebe em média 27% menos que os demais profissionais, trabalham três horas a mais e são constantemente expostos a constrangimentos funcionais, assedio moral e demissões infundadas, vão figurar entre os trabalhadores que mais serão atingidos com a absurda proposta de Reforma da Previdência (aposentadoria) apresentada pelo governo golpista de Michel Temer.


Para aprovar a Reforma Previdenciária, o ilegítimo presidente Michel Temer, que já traiu cerca de 54 milhões de brasileiros que elegeram democraticamente a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), voltará a se aliar no Congresso Nacional com parlamentares investigados e condenados pela Justiça, empresários suspeitos, latifundiários, grileiros, reacionários, preconceituosos e intolerantes religiosos.

 

Entre as armadilhas montadas para os trabalhadores mais humildes do Brasil, está a proposta de desvinculação do beneficio da aposentaria do aumento do salário mínimo, o que levará milhões de aposentados a ganhar menos que o salário mínimo que hoje é de R$ 880,00.

É essa imensa maioria de humildes trabalhadores e que ganham em media do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou um salário mínimo ou um pouco mais, e que contribuíram significativamente para tirar o Brasil da miséria absoluta nos últimos 13 anos.

Muitos desses aposentados das grandes cidades e do campo, com o beneficio, têm conseguido superar muitos momentos de crise, como a atual, mesmo com a elevada taxa de mais de 12 milhões de desempregados.

 

 

Aposentadoria integral só com 70 anos

 

Na proposta do governo ilegítimo, no começo os homens deverão se aposentar com 65 e as mulheres com 62 anos. Numa segunda etapa, a famigerada reforma exigira 70 anos para ambos os sexos se aposentarem com direito à aposentadoria integral, que hoje está em R$ 5.189,82, deduzindo-se 11% de impostos. Veja as regras que estão em vigor em http://tabelainss2017.org/aposentadoria-inss-2017-por-tempo-de-servico/

Com a imposição da idade mínima, o fator previdenciário e a fórmula 85/95 tende a perder a validade, já que não haverá mais aposentadoria por tempo de contribuição.

O principal defensor da proposta de idade mínima de 65 anos para se aposentar, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, se aposentou em 1.º de fevereiro de 1999, após o término do seu primeiro mandato de deputado federal pelo Rio Grande do Sul.

Na época, tinha 53 anos de idade e hoje recebe cerca de R$ 20 mil por mês, segundo o Portal da Transparência da Câmara dos Deputados.

Também como ministro do governo golpista, ele recebe ainda mais R$ 30,9 mil de salário, conforme dados do Portal da Transparência do Governo Federal. Ou seja, seus rendimentos ultrapassam os R$ 50 mil mensais. 

E, diga-se de passagem, um valor bem acima do teto permitido pela Constituição Federal de 1988.

 

 

Temer se aposentou com 55 anos

 

O próprio presidente golpista, cujo nome completo no registro do Banco de Dados do Portal da Transparência do Governo do Estado de São Paulo é Michel Miguel Elias Temer Lulia, se aposentou como procurador do estado de São Paulo com 55 anos em 1996. Há 20 anos Temer recebe benefícios imensamente superiores à grande maioria dos aposentados no país.  

Ele teve rendimentos brutos no mês de junho deste ano no valor de R$ 45.055,99, também em conformidade com o teto permitido pela Constituição Federal de 1988.

O Portal da Transparência do Governo Federal também revela que a União utiliza R$ 164 milhões por ano com o pagamento de pensões e aposentadorias para apenas 1,170 pensionistas.

Numa conta rápida e igualando o valor dos salários para cada pensionista, cada um receberia em média quase R$ 12 mil por mês.

O mesmo valor que é pago anualmente para os 1.170 pensionistas, daria para pagar a aposentadoria de 6.780 pessoas que recebem o beneficio médio da Previdência, que está em R$ 1.862,00.

O valor médio dos benefícios concedidos pelo INSS, em maio de 2016, foi de R$ 1.303,58 para os trabalhadores urbanos e de R$ 880,84 para os rurais.

Já os trabalhadores rurais da agricultura familiar, se aprovadas às novas regras para a aposentadoria, eles serão obrigados a contribuir com INSS independentemente de terem tido colheita ou não, afinal não é problema dos golpistas às circunstancias climáticas ou fenômenos naturais.